Timm no E.A.T.

Recebi um email de um amigo falando sobre a semana dos restaurantes. Um evento bem interessante, principalmente, pra quem mora em São Paulo. Me empolguei com a notícia, mas acabei entrando em uma rotina nefasta de trabalho, que me impediu de pensar em uma maratona gastronômica digna de alguma honra.

Segunda de manhã, recebi um amigo escritor e redator da minha agência, André Timm, que me estimulou a dar um pé na bunda da rotina. Nessa de não deixar a vida passar, decidimos jantar em um lugar inédito para ambos. Sem grandes pretensões e na expectativa de aproveitar a promoção citada na internet, entramos no site e fizemos o primeiro filtro na busca de um restaurante de cozinha mediterrânea. Sem muito saco, acabamos optando pelo E.A.T. (detestei os pontos entre as letras), que promete uma “casual food”. Seja lá o que isso possa significar, decidimos encarar a bronca.

Chegamos em um ambiente contemporâneo e que ganhou nossa simpatia na hora. Pé direito alto, luz na medida certa, sem aperto de gente louca e sem noção. Gostamos.

Timm decidiu se encaixar no pacote da semana dos restaurantes e eu decidi fazer uma extravagância pra compensar dias sofridos de tropeços da vida. De entrada, ele encarou um carpaccio de abobrinha com amêndoas e, eu, polvo marinado no azeite com molho à base de limão, vinho branco, ceboulete, salsa, dill, mostarda de dijon e mais alguns ingredientes que o Chef Fernando Costa não se atreveu a revelar. Azar o nosso, pois foi a melhor pedida da noite. Seguimos a aventura acompanhados de moussaka de berinjela marinada, lâminas de batata e paleta de cordeiro moída. Uma lasanha para ignorantes, mas uma delícia pra gente sensível de paladar apurado. Além dessa beleza, linguini com camarões, aspargos in natura, vinho branco e ervas frescas. Um prato saboroso, mas menos expressivo que a moussaka do amigo Timm. Não sei se fui regado de algum tropeço na cozinha, mas senti uma leve desconexão entre discurso e realidade, no entanto, não me senti lesado pela experiência. Pra finalizar, bem-casado com sorvete e cheese-cake com calda de amora. Bom, bom, bom.

Diria que tive uma noite a ser levada a sério enquanto registro gastronômico do Da Boca Pra Dentro, ainda mais, depois de amaciar minhas percepções com um bom chardonnay que, apesar de novo, mandou bem na composição da noite.

Saímos de lá mergulhados no melhor papo pra um jantar de meio de semana, que representa a fuga de mentes cansadas e inquietas pela oportunidade de viver. O que posso dizer, é que não devemos, como diz meu amigo Timm, dar muita margem à procrastinação. Vamos tratar de aproveitar a vida, antes que o tempo passe.

E.A.T. Casual Food fica na rua Pedroso Alvarenga, 1026, no Itaim. Dá um pulo lá e aproveita o menu especial de carpaccios. Gostei da proposta.

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Robin Wood remasterizado

Um sentimento bom tomou conta de mim com a descoberta do Robin des Bois, uma dica que descobri de boca aberta, na cadeira da minha dentista, que acabou me ganhando só por introduzir esse novo lugar na minha vida. Um restaurante que eu arriscaria chamar de “a revelação dos últimos tempos”. Pequeno, charmoso e autêntico (e recém nascido!), tem um cardápio conciso e muito bem executado, com pratos de origem francesa, mas que pisaram nas terras do Brasil de maneira marcante e definitiva. A idéia veio do mesmo restaurante de Nova Iorque, interpretada por brasileiros sensíveis e elegantes, que colocam bom gosto até na hora de trazer a conta – sempre com uma mensagem pessoal escrita a próprio punho, como um simples e simpático “Mercy” que, segundo Marcos (pessoa brilhante que nos atendeu), renova a mensagem a cada semana.

Tati, sócia e amiga do coração, foi a companhia ideal para saborear um medalhão ao molho de mostarda de dijon acompanhado de risoto de shitake e shimeji. Suave, saboroso e em sintonia com um ambiente aconchegante, intimista e criativo. Esse prato excelente foi seguido por créme brulée e um tiramissu reinventado, que vale muito a pena provar.
Robin des Bois fica na Capote Valente, 86. O custo benefício é inquestionável. Se eu fosse você, daria um jeito de experimentar não apenas os pratos deliciosos de lá, mas o astral das pessoas e do lugar. É bem provável que vocês me encontrem por lá.

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Ritz e o linguine de camarão com abobrinha

Na quinta-feira – o 24673675883784º feriado do ano -, recebi uma grande amiga, a Lu Rodrigues, que não via há um belo tempo. Decidi levá-la para almoçar num lugar decente, com gente educada e boa comida. Para nos fazer companhia, o queridíssimo e iconográfico Rike pisou em São Paulo, enchendo essa terra cinza de alegria e notas de cardamomo, pra não dizer humor-negro imperdível e as melhores dicas de filmes que se possa imaginar fora da Blockbuster. Pra não ter erro, optei por levá-los no Ritz. 

Comer no Ritz já virou o clichê da bacanice aqui em São Paulo. Gente descolada, garçons bonitos, ambiente com cara de europeu e um cardápio não muito extenso e bem executado. Alguns ingredientes fundamentais pra fazer um restaurante dar certo nos dias de hoje.
Começamos com uma porção de bolinhos de arroz, com o toque de sabor da vovó e o charme da tia que fugiu da cidade pequena. Saborosos, nostálgicos e na medida certa pra não roubar a cena do prato principal. Lu num mojito de tirar o chapéu e o Rike e eu numa versão sem álcool, apostando nos coloridos sucos de laranja e melancia. Como protagonistas do almoço, fomos nos meus pratos preferidos do cardápio: linguine de mix de cogumelos para os rapazes e linguine de camarão com abobrinha para a Luzita. Ambos deliciosos, mas devo jogar confetes no linguine de camarão, que tem um sabor leve e intenso, de fazer qualquer um lamber os beiços. Eles conseguiram uma combinação super harmônica regada a creme de leite e parmesão, servidos numa combuca pra lá de charmosa.
Saímos os três numa maratona pela digestão e na procura da loja do Häagen Dazs da Oscar Freire. Calor humano e doces impecáveis pra colocar algum verve nesses dias de frio. Terminamos a experiência extasiados com tantos sabores, bom papo e gargalhadas.
Nada melhor que grandes amigos e boa comida para celebrar a vida e lembrar dos prazeres das coisas simples.
O Ritz fica na Alameda Franca, 1088. Comece a refeição com um bom drink. Cheers!