Um mergulho com Vane

É incrível como a comida tomou um papel importante na minha vida, a ponto de me motivar da maneira mais genuína que se possa imaginar. Sábado de carnaval, encontrei um casal de amigas no mercado municipal de São Paulo. A Vane é uma grande amiga das antigas, filósofa, que estuda e defende a ética na alimentação, uma vegana convicta e lúcida nas suas atitudes e na busca de suas respostas. Decidi entrar na onda e me alimentar daquela atmosfera curiosa que se formou em torno dela. Passeamos pelos corredores coloridos de frutas, verduras, legumes, temperos, queijos, azeites de toda qualidade, castanhas de todos os tipos e gente experimentando esses sabores que preenchem todos os sentidos. Fiz umas comprinhas e descobri que o mercado municipal não tem nada de barato. Já tinha tempo que eu não pisava por lá, no entanto, não esperava que os preços estivessem beirando a falta de noção, como cobrar R$ 30 o quilo de caqui. Não dá, vamos combinar.

Tudo bem. Acabamos fazendo uma espécie de pique-nique numa das mesinhas do mercado, com alcachofras, cogumelos e alhos em conservas deliciosas, pasta de berinjela, pães finíssimos e crocantes e, para acompanhar, um suco de carambolas frescas pra lá de saboroso.
A Érica, namorada da Vane, precisava deixar alguns ingredientes em casa, então, saímos de carro pelo centro e ficamos dando voltas pra ver a cidade, que tava linda com a luz do final da tarde. Acabamos na Liberdade, andando pelas ruas e entrando naqueles mercadinhos cheios de tudo quanto é coisa que a gente não conhece. Tinha esquecido de como é bom mergulhar num mundo que não é seu e começar aprender com as dicas mal ditas pelas imigrantes de lá.

“Esse é tempelo. Calne, bom, bom na calne. E esse? Non non, esse não sel tempelo… Eu sei, mas o que é isso? Non é tempelo…”

A experiência em si é um barato. Você se diverte, descobre coisas novas, compra ingredientes bem mais em conta, dependendo em qual mercadinho entrar, e viaja nos costumes do povo de lá. Isso me rendeu uma sopa de cogumelos que comprei empacotada, daquelas embalagens de plástico com um monte de cogumelos desidratados, bolinhas e pedacinhos de plantas que você jamais viu na vida. Decidi fazer essa sopa para o jantar de segunda. Aquilo deve ter fervido por umas 3 ou 4 horas, mas os ditos cogumelos não amaciavam nunca! No fim, consegui um caldo saboroso, mas minha fome e falta de paciência em esperar mais, me fez mastigar os talos fibrosos de aparência demoníaca daqueles cogumelos. Sobrou, mas decidi não comer o resto, pra não tirar a mágica da “experiência única”.

Enfim, voltando pro eixo da história, acabamos no meu apartamento esperando a Érica chegar, abrimos um vinho e fiz uma vestimenta nela com um lençol – como aqueles saiotes amarrados dos indianos – e ficamos batendo papo e bebendo sem camisa. A Érica chegou e tomou um susto vendo a Vane sem camisa por trás da bancada. Parecia pelada. Aproveitamos e fizemos um belo ensaio de fotos, que estão servindo como base de algumas pinturas e desenhos que estou fazendo. Pra jantar, preparei um espaguete de abobrinha e cenoura (os legumes são cortados como espaguete, não tem massa essa receita) com shitakes tostados e molho à base de azeite e louro. Ficou bom, mas considero uma receita que precisa ser lapidada. De qualquer forma, caprichei na decoração, fazendo uma torrezinha circular com cogumelos inteiros e mini pimentas em conserva, dispostos em um belo prato branco quadrado. Bebemos duas garrafas de carmenére e deixamos a noite se tornar um registro da nossa juventude. Foi divertida, estimulante e profunda. Um daqueles encontros que jamais sai da memória.


As formas de Vane inspiraram a nova tela inacabada.

Robin Wood remasterizado

Um sentimento bom tomou conta de mim com a descoberta do Robin des Bois, uma dica que descobri de boca aberta, na cadeira da minha dentista, que acabou me ganhando só por introduzir esse novo lugar na minha vida. Um restaurante que eu arriscaria chamar de “a revelação dos últimos tempos”. Pequeno, charmoso e autêntico (e recém nascido!), tem um cardápio conciso e muito bem executado, com pratos de origem francesa, mas que pisaram nas terras do Brasil de maneira marcante e definitiva. A idéia veio do mesmo restaurante de Nova Iorque, interpretada por brasileiros sensíveis e elegantes, que colocam bom gosto até na hora de trazer a conta – sempre com uma mensagem pessoal escrita a próprio punho, como um simples e simpático “Mercy” que, segundo Marcos (pessoa brilhante que nos atendeu), renova a mensagem a cada semana.

Tati, sócia e amiga do coração, foi a companhia ideal para saborear um medalhão ao molho de mostarda de dijon acompanhado de risoto de shitake e shimeji. Suave, saboroso e em sintonia com um ambiente aconchegante, intimista e criativo. Esse prato excelente foi seguido por créme brulée e um tiramissu reinventado, que vale muito a pena provar.
Robin des Bois fica na Capote Valente, 86. O custo benefício é inquestionável. Se eu fosse você, daria um jeito de experimentar não apenas os pratos deliciosos de lá, mas o astral das pessoas e do lugar. É bem provável que vocês me encontrem por lá.

var gaJsHost = ((“https:” == document.location.protocol) ? “https://ssl.” : “http://www.”);
document.write(unescape(“%3Cscript src='” + gaJsHost + “google-analytics.com/ga.js’ type=’text/javascript’%3E%3C/script%3E”));

var pageTracker = _gat._getTracker(“UA-5609882-1”);
pageTracker._trackPageview();

Um belo lugar pra ir

Tem algum tempo que descobri o Octávio Café. Um lugar charmoso que tem se tornado o ponto de encontro de muitas reuniões. Seguido passo tardes inteiras trabalhando lá com meu laptop, degustando delícias, experimentando diferentes cafés e chutando a bunda da rotina. Além de um ambiente super bonito e agradável, com acesso a internet e poltronas confortáveis, o cardápio é cheio de comidas criativas e petiscos de tirar o chapéu, das brusquetas saborosíssimas às massas de combinações surpreendentes. Ontem, estive numa reunião lá e me saboreei comendo uma massa recheada de carne ao vinho tinto, com molho de mix de cogumelos, aspargos frescos e lâminas de parmesão. Uma delícia. Tão gostoso que fez com que a noite não parecesse trabalho.

Apareça para conhecer o espaço (ande pela rampa que leva até o banheiro, mensagens sobre café se acenderão no chão quando você passar), encher a boca de sabor e ser super bem atendido.
O Octávio Café fica na Faria Lima, 2996. Você não vai economizar, mas vale muito a pena!
Fotos: Octávio Café (site)