Comida e cinema: Tomates verdes fritos

Esse é um filme que me toca de maneira única, pelo símbolo máximo que uma amizade pode ter. É uma história linda que retrata a incrível capacidade de ultrapassarmos dificuldades e seguir lado a lado daqueles que compartilham com a gente um dos sentimentos mais nobres da existência humana; fala da sensibilidade de descobrir nuances e, a partir dessa compreensão das cores e dores do outro, mergulhar em um processo de autotransformação. Tomates Verdes Fritos trata de coisas muito simples e muito grandes, desde a luta contra preconceitos ao prazer das pequenas coisas. Além disso, insere todas essas questões profundas sobre amizade em um café que serve tomates verdes fritos, o que dá um charme todo especial.

Dias atrás, cheguei em casa e a Édina havia preparado tomates verdes fritos. Foi emocionante, porque também alimento com ela uma amizade respeitosa e profunda, onde conseguimos reconhecer as dores e as virtudes um do outro. São mais de seis anos de relação, onde regamos nossas melhores sementes que, hoje, estão mais fortes do que nunca. No caso daquele almoço, foi impossível não conectá-lo às cenas inesquecíveis do filme e fortalecer a ideia de que a vida é uma possibilidade de protagonizar diferentes filmes, de exercitar diferentes olhares e, acima de tudo, de explorar a sensibilidade e as boas emoções.

Coloquei aqui um trechinho do filme para relembrar aqueles que guardaram essa história no peito e, para os que não assistiram, terem uma palhinha dessa poesia gravada em película. Vale pela história, pelo elenco…

… e pela memorável cena de Tawanda!

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Pra inspirar o fim de semana e a vida

Adoro encontrar esses poemas que são escritos das mais diferentes formas, seja por um filme, um grafitti, um origami, uma flor roubada ou qualquer outra coisa capaz de manifestar amor pela vida e pelas coisas. Esse filmezinho estimula isso, os pequenos manifestos que nos alimentam a alma e nos fazem acreditar que a vida pode ser realmente inspiradora. Espero que vocês gostem e que o fim de semana seja, pelo menos, um tempo de verve pra se guardar na memória.

A viagem de uma vida

Pra encerrar a semana, um curta metragem da trilogia “move, eat, learn”. É claro, o estímulo aqui é comida.

3 caras, 44 dias, 11 países, 18 vôos, 38 mil milhas, um vulcão em erupção, 2 câmeras e quase um terabyte de imagens. Tudo em torno de três ambiciosos conceitos lineares baseados em movimento, aprendizagem e comida, em três bonitos curta-metragens.

Rick Mereki : Director, producer, additional camera and editing
Tim White : DOP, producer, primary editing, sound
Andrew Lees : Actor, mover, groover

Risoto feito em casa

Sábado foi um dia excelente.

Carol e eu acordamos com a sensação boa depois de uma noite de concerto na Sala São Paulo (evidenciada pela gostosa surpresa de ganharmos os ingressos, na boca da bilheteria, de duas senhoras pra lá de simpáticas que levaram um cano de alguns de seus convidados e decidiram nos fazer uma doação. Maravilha!).
Carol é uma grande amiga do Rio, já citada por aqui, uma mente inquieta que sempre traz bons ventos e sutilezas que enriquecem a vida. A noite foi guiada pela certeza de que pessoas do bem que emanam o bem, atraem a mesma coisa.
Perto do meio-dia ensolarado, fomos ao mercado e compramos alguns ingredientes para o almoço. Recebi um povo em casa para assistir o novo documentário de um amigo sensível e de pensamento profundo: o Ale Melo. Preparamos um risoto a la marguerita que, no fim das contas, foi coadjuvante no meio da questão emocionante colocada pelo filme: uma discussão ampla sobre preconceito tendo como base a ótica de anões. Lindo, humano e sensível.
Antes disso, abrimos uma garrafa de espumante e começamos a preparar o terreno para o arroz carnaroli entrar em ação. Cebola, alho, pimenta verde, tomilho, meia garrafa de vinho branco, tomates concassé, sal e caldo de ervas pra cozinhar o dito cujo (ferva tomilho, louro fresco e coloque um caldo da sua preferência, se achar que precisa). Pra finalizar, meio maço de manjericão, mussarela de búfala em bolas cortadas em quatro partes e uma porção generosa de queijo parmesão ralado grosso. A tonturinha do espumante deixou todos borbulhantes para uma refeição leve e saborosa, acompanhada de folhas de rúcula e cogumelos frescos no azeite e sal de roca, aguçando a sensibilidade do povo para o documentário, que veio como um sopro refrescante de um mundo que desconhecemos.
Minha casa se encheu de novas lembranças e fortaleceu a importância de estar cercado de pessoas que enriqueçam sua vida, que te questionem e te empurrem para um caminho tranformador e que te faz alguém melhor. Me tomei por um sentimento de felicidade e gratidão, entendendo que a vida muda de sabor quando decidimos fomentar as boas oportunidades.
Se quiser tentar o risoto, vai em frente, é fácil de fazer. Siga a ordem dos ingredientes que citei, frite a cebola, o alho, o arroz, coloque a meia garrafa de vinho quando tudo estiver dourando, acrescente os tomates e vá regando com o molho de ervas. Fácil, fácil. Só não esqueça de convidar pessoas interessantes que tem algo a dizer. Isso, sim, vai dar o tom da mesa.