Francês de olhos puxados

Essa temporada sem escrever aqui no blog me trouxe uma série de inquietações. Muitas fruto da impossibilidade de habilidade e tempo pra colocar determinadas criaturas no mundo. Mesmo sem escrever, não parei de me aventurar pelo universo da gastronomia. Sem colocar a mão na massa, em função de não conseguir executar tarefas básicas, como cortar um tomate ou descarcar alhos, mas com o apetite e a curiosidade de sempre acentuados. Mais do que nunca, passei a encarar a comida como uma compensação das merdas da vida. Mesmo dentro de uma ótica positiva, merda é merda. Aprendemos com os tropeços, nos tornamos pessoas melhores, mas os calos não deixam de doer por isso.

Nessa temporada de busca por compensações, acabei sendo levado por duas amigas a um restaurante super charmoso, lá na Vila Madalena, o Les Delices de Maya. Segundo elas, eu precisava conhecer o tal lugar e experimentar uma massa super especial preparada pela Maya, chef e dona daquele cantinho charmoso. Como se trata de um prato que ela prepara quando dá na telha, pelo que pude entender, acabamos dando sorte em chegar lá e ser o dia do macarrão cozido em algas com gengibre e farofa de gergelim. Estranho e delicioso, na mesma proporção. A versão original vem acompanhada de camarões, mas pedi que a chef fizesse uma versão vegetariana pra mim. A adaptação foi digna de sucesso de bilheteria.

Quando o prato chegou, vivi o que há anos não acontecia: experimentar algo novo, tão longe das suas referências, que você mal sabe como reagir. É quase como uma criança descobrindo o mundo e tendo espasmos de admiração. As garfadas vieram acompanhadas de felicidade e resmungos de prazer. No final do prato, fui obrigado a jogar fora minha elegância e pedir que me servisse mais uma porção.

Além do prato delicioso, fomos atendidos de maneira especial e carinhosa, com direito a dicas de livros e histórias de vida.

Finalizamos o almoço com uma rodada de sobremesas: cheesecake com calda de frutas vermelhas pra mim, pudim de leite pra Ci e bolo de chocolate sem farinha pra Andrea. Claro, as sobremesas passaram pela boca de todos, pois é inaceitável enfrentar tantos sabores maravilhosos sem compartilhar com quem divide a mesa com você. Ainda mais quando falamos de doces!

Esse cantinho merece ser descoberto. Vá até a Morato Coelho, 1044. Além de ter uma refeição incrível, aproveite para levar as caldas e molhos especiais para salada que a chef Maya Midori prepara. Eu levei um molho de framboesas com azeite e balsâmico que quase transcendeu minha relação com as folhas verdes.

Andrea e Ci, muito obrigado pela descoberta!

Nessa aventura, descobri John Fante.
Ouça “Crazy”, na versão da Norah Jones depois de ler essa postagem.
A imagem daqui é uma composição que fiz a partir de uma foto que achei na internet. Não sei pra quem dar os créditos.

Robin Wood remasterizado

Um sentimento bom tomou conta de mim com a descoberta do Robin des Bois, uma dica que descobri de boca aberta, na cadeira da minha dentista, que acabou me ganhando só por introduzir esse novo lugar na minha vida. Um restaurante que eu arriscaria chamar de “a revelação dos últimos tempos”. Pequeno, charmoso e autêntico (e recém nascido!), tem um cardápio conciso e muito bem executado, com pratos de origem francesa, mas que pisaram nas terras do Brasil de maneira marcante e definitiva. A idéia veio do mesmo restaurante de Nova Iorque, interpretada por brasileiros sensíveis e elegantes, que colocam bom gosto até na hora de trazer a conta – sempre com uma mensagem pessoal escrita a próprio punho, como um simples e simpático “Mercy” que, segundo Marcos (pessoa brilhante que nos atendeu), renova a mensagem a cada semana.

Tati, sócia e amiga do coração, foi a companhia ideal para saborear um medalhão ao molho de mostarda de dijon acompanhado de risoto de shitake e shimeji. Suave, saboroso e em sintonia com um ambiente aconchegante, intimista e criativo. Esse prato excelente foi seguido por créme brulée e um tiramissu reinventado, que vale muito a pena provar.
Robin des Bois fica na Capote Valente, 86. O custo benefício é inquestionável. Se eu fosse você, daria um jeito de experimentar não apenas os pratos deliciosos de lá, mas o astral das pessoas e do lugar. É bem provável que vocês me encontrem por lá.

var gaJsHost = ((“https:” == document.location.protocol) ? “https://ssl.” : “http://www.”);
document.write(unescape(“%3Cscript src='” + gaJsHost + “google-analytics.com/ga.js’ type=’text/javascript’%3E%3C/script%3E”));

var pageTracker = _gat._getTracker(“UA-5609882-1”);
pageTracker._trackPageview();