Bem-vindos ao novo Da Boca Pra Dentro!

Foi uma temporada transformadora essa. Escrever sobre comida é um grande prazer, complementar ao maravilhoso de comer.

O Blogspot foi uma plataforma interessante para as postagens que tornaram minha vida mais colorida, saborosa e interativa. No entanto, um site que é um saco para conseguir boas métricas. Baixe um código HTML para anexar às mensagens, depois de se cadastrar na ^#%@^!#!@ do Feed e encare erros em todas as postagens. Cansei! Agora, ressurjo animado e numa plataforma decente, cheia de números e possibilidades. Não que eu seja um grande amante de números, mas adoro os que tornam minha vida mais fácil e administrável.

Seja bem-vind@ ao novo Da Boca Pra Dentro. A cara muda, mas o gosto não.

Abaixo, as últimas postagens do velho Da Boca Pra Dentro. Divirta-se!

Anúncios

Postagens Póstumas: 01. Téo no DOM

Quanto pode significar 12 meses em uma vida?
Depende da vida, claro.
Da porta.
Da cara de pau.
Das circunstâncias.
Dos que a gente quer bem.
Dos que temos que conviver.
Mais dos sim, do que dos não.
Depende.
Postagem póstuma de aniversário.
Há quase 12 meses atrás, fui surpreendido por um dos mais singulares presentes do meu repertório. R, amante das antigas, já havia sido repreendido por excessos pontuais de presentes muito bem colocados. Não tinha como retribuir e, suportado por uma criação simples, não tinha como aceitar tantas demonstrações de cunho material. Logo vinha meu aniversário, depois do último manifesto repressor que fiz. Chegou um envelope, simples, só com volume de papel. Pouco papel. Entendeu, pensei, uma carta sincera me basta por hora. Uma carta sincera com um convite de jantar no DOM! Quando vi aquele convite, estremeci. Um sentimento de surpresa se misturou com gratidão e vontade de dar umas palmadas, pois realmente a criatura não aprendera a lição que eu acreditava ter dado.
Demorei uns 2 meses para conseguir conciliar minha agenda com as datas disponíveis no DOM. Vencendo isso, me deparei com uma experiência única do início ao fim.
Como R vive em Brasília, acabei encarando o jantar sozinho, o que me fez perceber bem os detalhes e criar um laço interessante com os garçons, que me explicaram todos os maravilhosos pratos que me foram servidos no menu degustação de 5 pratos. Todos anotados e desenhados em meu moleskine.
Texturas, temperaturas, sabores e estéticas se misturaram com o objetivo bem traçado de quebrar qualquer ideia pré-estabelecida por mim. Mas, antes de iniciar toda essa odisséia de sabores, gostei da sensibilidade deles em saber das possíveis restrições na minha alimentação antes de preparar o tal jantar. Na época, ainda não havia parado de comer carne, mas já andava dando bons passos na ideia de bem-estarismo, o que me fez solicitar que não utilizassem vitella em nenhum dos pratos, nem como base para rotí. Observação respeitada, tive a oportunidade de experimentar uma sensação que só havia me abraçado na infância e em alguns momentos em que descobri coisas inéditas da vida em minha adolescência: não saber como reagir ao me deparar com o novo. Ao sentir determinados sabores e combinações de texturas e temperaturas, não sabia se ria, se soltava alguns pequenos gemidos de prazer… simplesmente, me deixei levar por esse sentimento nostálgico e novo, que me marcou pra sempre.
Abaixo, alguns registros dessa experiência maravilhosa.

Eu sei, as ilustrações vão até o número 6 e as legendas não. Relevem…
R. muito obrigado pelo presente inesquecível e pela matéria-prima valiosa para minha escrita aqui. Foram 12 meses “perturbados” pela ideia desse registro. Que bom ter te conhecido e ter desfrutado dessa tua desobediência fascinante.
Recado ao DOM: uma das grandes surpresas foi poder observar a nota na abertura do cardápio: “O DOM reconhece sua primeira vocação: ser brasileiro! Por isso, não usamos trufa e foie gras na composição dos pratos.”. Isso me comoveu e, hoje, observando, acredito que Alex Atalla poderia expressar mais um suspiro de vanguarda e propor ao seu público um menu degustação vegetariano (e, por que não, vegano?). Associar a discussão da ética ao prazer é algo motivante e, sem dúvida, um passo rumo à reformatação do futuro.

Gafe e nudismo no Sofitel Salvador

Fim de ano e nenhum quarto de hotel com preço acessível disponível. Me obriguei a fazer uma reserva e passar a noite nesse dito hotel. Meio caro, mas bacana. Cheguei tarde, vôo atrasado. Fiz o check-in, deixei as malas no quarto e desci correndo para o restaurante, pois estava há cinco minutos de fechar. Tudo bem, sacanagem com o pessoal da cozinha, mas eu precisava comer. Decidi me dar uma noite especial e pedi uma taça de espumante e lagostas grelhadas com mousseline de banana da terra. Enquanto meu prato não chegava, fui dar uma olhada na piscina. Era uma bela piscina. Fiquei com aquilo na cabeça.

A lagosta chegou, mas frita e amarga acompanhada da apatia da mousseline mal preparada. Pedi a segunda taça, dei duas garfadas, chamei o garçon e devolvi o prato com um discurso sincero a ponto do chef ser chamado para falar comigo sobre o preparo. Eles foram gentis e me ofereceram outro prato, porém, meu apetite já havia desaparecido e eu montava na vontade de dar uma nadada naquela piscina.

Voltei para o quarto, coloquei a sunga e andei semi nú pelo hotel lá pela 1h e tanto da matina. Cheguei na piscina e todas as luzes desligadas. Um breu! Não dava pra ver nada. Não tive coragem de nadar naquela escuridão, me bateu um cagaço e fui pedir para que um funcionário do hotel acendesse alguma luz pra mim.

_ Não dá, senhor.
_ Por que não?
_ Hum… eu já ligo pro senhor.
_ Obrigado.

Um neon azul no fundo da piscina se acendeu e ao me ver sozinho por lá, arranquei toda a roupa e pulei pelado na água. Explorei toda a piscina e fiquei relaxando na água, levando um tempo pra me dar conta que nadava de frente para uma série de janelas. Nadei mais um pouco, saí e me espreguicei antes de me secar. Voltei pro quarto dando risada pela possível platéia do meu espetáculo aquático.

Sem pilhas, fui obrigado a buscar uma imagem da dita piscina na internet. Sim, foram nessas águas que expus minha nudez ao cosmos. Uhú!

Mastigadas na Bahia

Há um tempo atrás, alguns amigos e eu decidimos passar a virada do ano na Bahia. Não sabíamos exatamente onde, então, compramos passagens para Salvador com bastante antecedência e ficamos num pingue-pongue de emails até escolher Moreré como destino das férias de verão.

Embarquei dois dias depois da turma para encontrar sete amigos nas cabanas que alugamos no meio de uma “aldeia” bastante peculiar. Roots de verdade, mas com uma biblioteca super interessante no meio daquela mata à beira-mar. Na mala, duas garrafas de espumante e outra de azeite de oliva extra virgem para garantir a boa comida, além de livros, cadernos e canetas de todos os tipos.

Essa viagem me colocou de frente com novos sabores e tornou a comida um ritual de paciência, diversão e pileques vespertinos. Siriguela seria um xingão se eu não tivesse provado essa fruta por lá, do mesmo jeito que me surpreendi com o sabor dos sorvetes caseiros de mangaba, banana e cajú da pousada do suíço, sem contar o vinagrete de polvo super tenro e os acarajés das baianas tranqüilas na beira da praia.

Foi tão divertido que me rendeu histórias que serão tema das próximas postagens.

Junte seu povo, façam comida juntos, viajem, bebam seus drinks, olhe pro lado e puxe assunto, descubra o que você tem em comum com o mundo e não tem outro jeito senão vivendo. Resumindo, arrume história pra contar. É o tipo de coisa que te marca pra sempre.




O dueto do verão

Curiosidade é palavra de ordem para quem se emociona na descoberta de novos sabores. Maurício Azevedo é a aposta de Ana Paula Zanatta, a proprietária do pequeno e charmoso bistrô Citrino. Maurício mostrou lapidação com simplicidade e bom gosto combinando limão e manjericão em um suco que me surpreendeu pelo sabor e refrescância. Original e sofisticado, foi eleito meu drink da estação. Vale a pena passar lá em um final de tarde quente para experimentar. Para acompanhar, peça capelettis de camarão (Harumaki, para os veteranos) servidos com molho de framboesa. Uma combinação delicada de tirar o chapéu.

O Citrino fica na rua Ministro Jesuíno Cardoso, 556, na metamorfóbica Vila Olímpia. Funciona todos os dias no café da manhã e almoço e, nas quintas, sextas e sábados, à noite, das 19h30 às 00h.









Crocantes e suaves, dá pra devorar em uma bocada.

Uma combinação refrescante que melhora qualquer dia de calor.

Fã Clube da Zezé

Há dias atrás, meu pai e eu fomos convidados para jantar na casa dos pais do Sávio, grande amigo e sócio da Yo. A cozinheira? Zezé, a mãe dele. Eu andava irritado com tantos comentários a respeito da comida da mãe do Sávio, toda merda que se comia vinha acompanhada do discurso “minha mãe faz isso infinitamente melhor”. Porra, Sávio, pára de contar dinheiro na frente de pobre e me convida pra provar a comida dela, cacete! Depois de tanto chutar a canela dele, rolou a oportunidade de provar a tão famosa comida da Zezé.

Fomos recebidos com calorosos abraços e um vinho rosé de primeiríssima qualidade. Entre histórias fascinantes do tempo do guaraná de rolha e boas risadas, Zezé nos surpreendeu com uma entrada nada modesta: antipasto de pimentões assados, pão italiano e uma pasta maravilhosa de rockefort e o mais incrível azeite de oliva extra-virgem, daqueles que são turvos de tão ricos (descobri que a Zezé esconde o azeite quando o Sávio vai visitá-la. Um belo folgado que detona os melhores ingredientes da mama!). Pra continuar, uma sopinha de abóbora servida em uma charmosa mini-caneca, com queijo parmesão, salsinha e azeite. Uma delícia na porção certa pra te aquecer em um dia frio antes de um belo jantar entre amigos.
Como prato principal, cabrito assado, ravioli na manteiga com sálvia (os melhores do repertório) servidos com coelho ao molho de vinho. Eu poderia ter comido tudo de joelhos.
Zezé finalizou a orgia gastronômica com um doce fantástico de sorvete de creme, chocolate e suspiros, capaz de amolecer qualquer coração.
Enchemos a cara de vinho, daqueles porres bons de terminar a noite com confissões, boas risadas e promessas de reencontros.
Zezé e Milton, muito obrigado pela hospitalidade. Savieto, valeu o convite! De verdade, tua mãe é a melhor!
E dá-lhe Zezé!

var gaJsHost = ((“https:” == document.location.protocol) ? “https://ssl.” : “http://www.”);
document.write(unescape(“%3Cscript src='” + gaJsHost + “google-analytics.com/ga.js’ type=’text/javascript’%3E%3C/script%3E”));

var pageTracker = _gat._getTracker(“UA-5609882-1”);
pageTracker._trackPageview();