Robin Wood remasterizado

Um sentimento bom tomou conta de mim com a descoberta do Robin des Bois, uma dica que descobri de boca aberta, na cadeira da minha dentista, que acabou me ganhando só por introduzir esse novo lugar na minha vida. Um restaurante que eu arriscaria chamar de “a revelação dos últimos tempos”. Pequeno, charmoso e autêntico (e recém nascido!), tem um cardápio conciso e muito bem executado, com pratos de origem francesa, mas que pisaram nas terras do Brasil de maneira marcante e definitiva. A idéia veio do mesmo restaurante de Nova Iorque, interpretada por brasileiros sensíveis e elegantes, que colocam bom gosto até na hora de trazer a conta – sempre com uma mensagem pessoal escrita a próprio punho, como um simples e simpático “Mercy” que, segundo Marcos (pessoa brilhante que nos atendeu), renova a mensagem a cada semana.

Tati, sócia e amiga do coração, foi a companhia ideal para saborear um medalhão ao molho de mostarda de dijon acompanhado de risoto de shitake e shimeji. Suave, saboroso e em sintonia com um ambiente aconchegante, intimista e criativo. Esse prato excelente foi seguido por créme brulée e um tiramissu reinventado, que vale muito a pena provar.
Robin des Bois fica na Capote Valente, 86. O custo benefício é inquestionável. Se eu fosse você, daria um jeito de experimentar não apenas os pratos deliciosos de lá, mas o astral das pessoas e do lugar. É bem provável que vocês me encontrem por lá.

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Gafe americanipônica

Quinta, acordei de ovo virado, tomado por um espírito sindicalista. Fui pra padaria da esquina, determinado a tomar uma providência sobre o tédio da vida workaholic. Ou da não-vida, como preferir. Pedi uma vita-suco com beterraba (tô fazendo meu branding na padoca. Quem mais pede uma vita-suco com beterraba?), um sanduíche de peru light que insisto em corromper, trocando o queijo prato por queijo branco tostado, acrescentando tomate, alface, servido no croissant e um café com leite médio (me irrita café com leite pequeno. Perde toda a nostalgia.), abri um livreto pra lá de interessante: The Perry Bible Fellowship,  do Colonel Sweeto (são quadrinhos de humor ácido e sofisticado, introduzidos em minha vida pelo Drehmer), peguei o telefone e liguei pro meu primo. 

_ Maaaaaarceeeeelllllll bl-bl-bl-bl-bl-bl-bl-bl-bl-bl… (um grito esganiçado mais ou menos parecido com o de um peru!)
_ Fala, cueca suja.
_ Celo, preciso fazer alguma coisa que me diga que minha vida não se resumiu em trabalho. Tu e a Lu têm planos pra hoje?
Fomos para um sushi. O Mori Sushi, que fica na rua da Consolação, 3610. O lugar é super interessante, com um ar moderno sem deixar de ser aconchegante, pratos gostosos (com a exceção desastrosa que vem em seguida) e bem executados, sem meter a faca. Pedi um temaki de salmão com polvo e molho tarê, hot holl e, na seqüência, um gunkan flambado, porque vi uma bandeja pegando fogo indo até a mesa de duas mulheres (é um sentimento primitivo ser atraíto pelo fogo. Coisa louca…). Furada! Eu achei que se tratava de algo bem elaborado e composto em cima de algum repertório bem resolvido. Um enrolado de salmão que foi assassinado por um recheio grotesco de cream-cheese e salpicadas super mal-feitas de shimeji, tudo flambado no cointreau. Perdeu-se o sabor do salmão e o que ficou foi uma textura massuda e desagradável de quase uma colher de sopa de cream-cheese no meio de cada gunkan. Em resumo, o japonês é apulhado pelas costas por um yankee, banhados em um cointreau ainda com álcool, que resultou num toque de laranja artificial totalmente dispensável. Tudo pegando fogo. Uma legítima cena de horror. Isso sem falar que terminamos os temakis e a metade da odisséia fumegante até chegarem nossas bebidas. A confusão terminou merecendo aplausos de pé quando dois garçons completaram a cena discutindo na nossa frente de quem era a responsabilidade de atender a nossa mesa. Triste.
Responsáveis pelo Mori: vocês fizeram um belo lugar, agradável e interessante, mas ficou claro que falta investir no capital humano. Treinamento é palavra de ordem para um time que quer dar certo.
Espero que vocês corrijam essa falha e que “desamericanizem” um pouco os pratos, deixando o cream-cheese cantarolar em cima de um pão no café da manhã, mas não na comida japonesa. Passou do ponto.
Não digo que não voltarei, porque acredito no poder de transformação das pessoas. Pode ter sido um lapso, um momento infeliz e nós os sorteados. Vai saber!






É desse lugar que eu tô falando.

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Ritz e o linguine de camarão com abobrinha

Na quinta-feira – o 24673675883784º feriado do ano -, recebi uma grande amiga, a Lu Rodrigues, que não via há um belo tempo. Decidi levá-la para almoçar num lugar decente, com gente educada e boa comida. Para nos fazer companhia, o queridíssimo e iconográfico Rike pisou em São Paulo, enchendo essa terra cinza de alegria e notas de cardamomo, pra não dizer humor-negro imperdível e as melhores dicas de filmes que se possa imaginar fora da Blockbuster. Pra não ter erro, optei por levá-los no Ritz. 

Comer no Ritz já virou o clichê da bacanice aqui em São Paulo. Gente descolada, garçons bonitos, ambiente com cara de europeu e um cardápio não muito extenso e bem executado. Alguns ingredientes fundamentais pra fazer um restaurante dar certo nos dias de hoje.
Começamos com uma porção de bolinhos de arroz, com o toque de sabor da vovó e o charme da tia que fugiu da cidade pequena. Saborosos, nostálgicos e na medida certa pra não roubar a cena do prato principal. Lu num mojito de tirar o chapéu e o Rike e eu numa versão sem álcool, apostando nos coloridos sucos de laranja e melancia. Como protagonistas do almoço, fomos nos meus pratos preferidos do cardápio: linguine de mix de cogumelos para os rapazes e linguine de camarão com abobrinha para a Luzita. Ambos deliciosos, mas devo jogar confetes no linguine de camarão, que tem um sabor leve e intenso, de fazer qualquer um lamber os beiços. Eles conseguiram uma combinação super harmônica regada a creme de leite e parmesão, servidos numa combuca pra lá de charmosa.
Saímos os três numa maratona pela digestão e na procura da loja do Häagen Dazs da Oscar Freire. Calor humano e doces impecáveis pra colocar algum verve nesses dias de frio. Terminamos a experiência extasiados com tantos sabores, bom papo e gargalhadas.
Nada melhor que grandes amigos e boa comida para celebrar a vida e lembrar dos prazeres das coisas simples.
O Ritz fica na Alameda Franca, 1088. Comece a refeição com um bom drink. Cheers!