Transcrições indispensáveis: choque 01

Comer Animais, de Jonathan Safran Foer, é um dos livros mais impressionantes e bem escritos sobre consumo e implicações da produção industrial da carne que já li. É uma mistura rica entre a história de vida da família do autor, misturada com dados da ONU, do governo dos EUA e de “visitas” feitas à granjas, frigoríficos e abatedouros (várias delas foram invasões durante a madrugada, pois o mercado da carne não quer que você saiba o que acontece nesses lugares). Informações associadas que propõem reflexões indispensáveis para qualquer pessoa que se preocupe com sua saúde e sua ética.

Alguns trechos são tão impressionantes que decidi transcrevê-los aqui no Da Boca Pra Dentro. Algumas pessoas acreditam que se trata de uma lavagem cerebral. Eu acredito que precisamos saber o que colocamos no nosso prato e, consequentemente, o que vira parte do nosso corpo. Nossa saúde e a saúde do planeta estão diretamente ligadas ao nosso consumo. Entender e ampliar a consciência é um movimento nobre e que não prejudica ninguém.

Por que comer frango pode ser um risco à sua saúde?

“… as aves são inspecionadas por um oficial do USDA, cuja função aparentemente é manter o consumidor a salvo. O inspetor tem mais ou menos dois segundos para examinar cada ave por dentro e por fora, tanto a carcaça quanto os órgãos, em busca de mais de uma dúzia de diferentes doenças e anormalidades suspeitas. Ele, ou ela, inspeciona 25 mil aves por dia. O jornalista Scott Bronstein escreveu para o Atlanta Journal – Constitution uma série notável sobre a inspeção de aves, que devia ser leitura obrigatória para todo mundo que considera a hipótese de comer galinha. Ele entrevistou quase cem inspetores do USDA em 37 abatedouros. ‘A cada semana’, relata, ‘milhões de galinhas com pus amarelo escorrendo, manchadas por fezes verdes, contaminadas por bactérias nocivas ou prejudicadas por infecções pulmonares e cardíacas, tumores cancerígenos ou problemas de pele são enviadas aos consumidores.’ ”

USDA: United States Department  of Agriculture

Mau gosto colossal

A desgraça está por todo o lugar. Basta olhar pro lado. Sempre tem alguém tornando o mundo mais feio, grosseiro e desagradável. Fora as questões corriqueiras, ainda temos a bíblia dos maiores absurdos da terra: o Guinness Book. Andei dando uma olhada em algumas das maiores barbaridades já registradas e uma, em especial, me chamou bastante a atenção: o maior hamburguer do mundo. Hã? Disponível comercialmente. Hã?!  Acreditem, hamburgueres de 84,14kg à venda por US$ 499 cada. Hããã?! Vocês conseguem imaginar tamanha tosquice? A terra natal desse horror não poderia ser outra, senão os EUA.

Fico pensando no quilate do brainstorm dos caras que tiveram a notável ideia de produzir o maior hamburguer do mundo já comercializado. Imagino o povo que tem o bom gosto de fazer um pedido desses, que desembolsa essa grana preta por uma caminhonada de pão recheada de carne moída queimada por fora e crua por dentro (desconfio de qualquer procedimento que garanta o mínimo de qualidade no cozimento de um hamburguer desse tamanho). Pensem na elegância dessa gente comendo. No mínimo, trágico. Ou partem pro garfo e faca, que já é questionável, se tratando de um hamburguer, ou enfiam a cara no monstro duotone, para devorá-lo às mordidas. Só imaginar já assusta.

Sinceramente, gostaria de entender o propósito prático ou conceitual de disparates como esse. Existe algum prêmio relevante em dinheiro ou apenas a “fama” basta? Me ajudem a entender, pra que eu não tenha que encarar boa parte do livro dos recordes como atentados hediondos ao bom gosto e à sensatez.

Música tema do horror: Carmina Burana