Chef Didi assume o comando

Há dias atrás, recebi um sinal de fumaça de uma grande amiga que, assim como eu, havia tomado outros rumos em busca de novos sabores na vida. Em meio a um bombardeio de trabalho, pé-na-bunda de uma possível relação, acidente de carro e outros eventinhos apoteóticos, o universo conspirou a favor de um reencontro cheio de bons momentos, histórias incríveis e sabores que deixaram o que falar. Chef Didi (que antes era a menina das palavras, agora virou a mulher dos sabores) se manteve longe da minha vida, mas não da minha memória, por longos 4 anos. Agora, vai dar uma palhinha do que foi nosso final de semana aqui. Eu me detive a dividir boas histórias e, nas ocasiões em que consegui sair da frente do computador, ser seu “assistente” na cozinha.

Chef Didi, dê o que falar.
Didi:
Gastronomicamente a cidade me engoliu, eu que pedi, e foi ótimo.
Vou confessar que a primeira impressão foi dentro do previsto. Cheguei na casa do Douglas e de cara ima
ginei que passaria cinco dias comendo comida de rua, que na maior parte das vezes decepciona (a não ser que você tenha grande familiaridade com a cidade). Daí fui entender que a sua relação com comida é constante, curiosa e instigante (mesmo assim sua geladeira foi fria – de imaginação – comigo). Regra No. 1: eu sempre vou preferir comer em casa a comer na rua. Eu sei, eu sei, to batendo na cara do propósito do Blog, mas, veja bem, comer em casa as vezes vem com valet, decoração, serviço, e um cutucão nos cinco sentidos. Sem querer foi isso que eu acabei fazendo na rotina dele.
Dei as minhas voltas pela cidade, que antes eu nunca considerei como possível casa, mas hoje o discurso é outro, achava tudo muito grande, genérico, impessoal e sufocante. Hoje eu tiro o impessoal e sufocante, porque vi como São Paulo é linda (e muito arborizada, um ponto importante pra mim), e confesso que vi no grande e genérico um lado positivo, cheio de opções, e tão safisfatório que transbordou o meu prato, várias vezes!
Comi muitas coisas, doces em cafés (que não me impressionaram), raviolis Sorpresa (que no meu caso, acho que o cozinheiro tava com a tv ligada e não tive sorpresa alguma – minha gema não estourou!, daí não deu pra gozar), e lanchinhos de madrugada na Lanchonete da Cidade.
Nos meus dias aqui, o que me impressionou e fui obrigada a ligar pro meu pai e pra minha irmã enquanto esperava o meu prato, gaguejando que 
eu tava prestes a fazer uma daquelas refeições que ficam na memória pro resto da vida foi no shopping São Paulo, na 25, com restaurantes chineses tão tradicionais que é bem difícil fazer o seu pedido em português. Eu dei uma boa olhada em volta e logo vi que eu era uma das dez pessoas ali que não tinham descendência asiática. A única coisa que me incomodou foi esperar uns tr
inta minutos pelo meu prato, mas a hora que ele apareceu qualquer aborrecimento passou e juro, foi uma das melhores refeições ultimamente. Noodles com frutos do mar picantes. Meu plano é voltar e provar todo o cardápio! Dos 3 restaurantes.
Enquanto isso na casa do Douglas…
Foi uma sequência de refeições completas. O que torna uma refeição completa é a comida, os amigos, a música, o lugar, aquilo que eu disse antes. Todos os sentidos. Massas e legumes, ovos mexidos com mostarda, cookies e por fim um domingo com comida inglesa confortante e tradicional. Misturei isso com um encontro nostálgico e emocionante entre dois amigos que sabe-se lá porque passaram quatro anos sem se ver e eu tive um fim de semana bem… bem, difícil de achar uma palavra só!
São Paulo me tirou do sério! O Douglas me tirou do sério! No fim, era bem o que eu precisava: uma injeção de adrelina causada por milhões de impressões que juro ia dormir decepcionada por não poder agüentar acordada por cinco dias. Só tenho um plano: voltar. E logo.

“Eu comi o cookie da Didi.”

Frango com cerveja da Dona Lurdes!

Há algum tempo atrás, minha mãe me supreendeu com uma receita de frango com cerveja, a qual venho tentando aprimorar de tempo em tempo. Ontem, num digno almoço de domingo e bom papo com o amigo Gustavo e sua excelentíssima esposa Jaque, consegui fazer a melhor de todas as tentativas dessa receita e, por isso, decidi postá-la aqui.

Frango na cerveja
– Sobrecoxas de frango sem pele (eu fiz cerca de 1kg)
– 01 cebola picada
– Uns 07 dentes de alho picados
– Umas 04 colheres de salsa picada
– 02 tomates
– 02 latas de cerveja
– Sal (eu comecei a usar aquele que tem Aji-no-moto misturado e fica bom)
– Pimenta preta moída na hora
– Algumas folhas de louro
– Azeite extra-virgem
Lembrando que todos os ingredientes são uma quantidade média, porque sou o tipo de cara que cozinha pelo feeling.
Modo de preparo: Tempere o frango com sal, pimenta, todo aquele alho e umas folhinhas de louro. Esfregue os ingredientes nas coxas (de frango, claro… piadinha infame!), despeje uma lata de cerveja e as deixe marinar por uns 30 minutos. Pegue uma panela estilo “wok”, frite as cebolas até elas quase queimarem (é bom deixar os tostadinhos tomarem conta), vá acomodando os pedaços de frango na panela e deixe dourar. Ele vai soltar um pouco de água, mas logo seca e começa a dourar tudo, deixando um cheiro incrível na cozinha. Quando tudo estiver super dourado (não permita que o frango fique sem cor. Nada é mais brochante que um frango meio pálido e meio cru), acrescente os tomates e, depois de uma leve refogada, acrescente aquela mistura de cerveja com alho que o frango tava dentro. Deixa cozinhar. A comida precisa de seu tempo, mais ou menos, como um filho. Você precisa ficar de olho, mas tem que deixar ele seguir seu caminho natural.
Veja se está bom de sal e deixe continuar o cozimento. Quando estiver quase seco, acrescente a outra lata de cerveja, pra que o frango cozinhe por mais tempo e ganhe mais sabor.
Quando estiver envolvido num molho cremoso (porém, líquido), acrescente a salsa, espere mais um pouco e tá pronto. Simples, simples.

Pra acompanhar, fiz uma polenta à moda antiga, feita no braço. Nada de Polentina pré-cozida! Pra fazer vai farinha de milho, água, sal, um toque de azeite, tomilho, louro e boa vontade pra ficar mexendo.
Servi o frango com a polenta e queijo parmesão, acompanhados de folhas de agrião. Tudo regado a um azeite inadreditável que trouxe da Itália, o Uliveti Stefanini.
Essa receita é uma delícia e fácil de preparar, porém, precisa de um pouco de tempo pra fazer as coisas acontecerem como devem. Não deixe de tentar!