Postagens Póstumas: 02. Protesto no Pão de Açúcar

Dias atrás, Vanessa e eu fomos tomados por um sentimento de revolta depois de nos deparar com os preços mais sem noção em todas as prateleiras do Pão de Açúcar. Além disso, tomamos um tufo com um pote de tomates secos azedos, vindos daqueles baldes de produtos vendidos “a granel”, que descobrimos quando fomos comer em casa. Foi a gota d’água!

Não fomos atirar ovos na porta, até porque os ovos não combinam com nossa postura de consumo, mas também não engoliríamos sapos nem deixaríamos de comprar lá, pois é o supermercado mais próximo de casa. Numa de nossas conversas fervorosas surgiu a ideia de uma camiseta como uniforme de compras no Pão de Açúcar. Como alimentamos um sentimento de romantismo, decidimos fazer como a velha guarda respeitável: protestar!

"Eu aceitei ser roubado pelo Pão de Açúcar."

No fim das contas, vivemos uma situação engraçada e instigante. Pessoas pararam pra conversar, de consumidores a atendentes do supermercado. Das perguntas mais pertinentes às mais idiotas, como “isso é uma grife?”. Claro que não. Primeiro, pela qualidade da roupa. Aliás, pela falta de qualidade! Segundo, pela estampa feita de caneta hidrográfica. Mas, tudo bem, aproveitamos o gancho para estimular protestos na vizinhança, alegando que pra virar moda, só precisa de seguidores, então, mãos à obra, população!

Voltamos pra casa rindo e com aquele ar de leveza de quem faz alguma coisa diferente, corajosa e bem-humorada na vida. Faça uma listinha com suas indignações e comece sua leva de protestos. Não tem nação que não se transforme sem um povo insatisfeito e que reage.

Funcionários do mês.

Pão de Açúcar fazendo feio

Dedinhos de chocolate podem ser irresistíveis em dias levemente frios. Você passa no mercado para pegar umas coisinhas e constrói a cena perfeita de um dia de preguiça. Sofá, cobertas, amiga querida, café e dedinhos de chocolate. Foi no Pão de Açúcar que encontramos os piores dedinhos de chocolate já fabricados pelo homem. Uma gororóba farelenta desprovida de sabor, digna de fazer os deuses vomitarem. Não é a primeira vez que decido comprar “delicinhas” produzidas por eles e tenho uma intragável surpresa. Outra vez, fui presenteado com uma beringela em conserva tão ácida, que dava a impressão de estar bebendo vinagre no bico da garrafa. Também teve a vez do abacate que comprei meio verde e que estragou antes de amadurecer. Dos caquis que jamais perderam o gosto amarrado de liga. Uma sucessão de pequenas tragédias que vão colocando a reputação do supermercado num carro sem freios na descida de um desfiladeiro.

Pela conveniência de ser o supermercado mais próximo da minha casa, peço que tenham mais atenção, cuidado pelos produtos oferecidos e respeito pelo dinheiro do consumidor. Mesmo me sentindo nobre nessas oportunidades de dar feedbacks e apoiar as reinvenções, também não tenho sangue de barata. Já estou na torcida pela revisão de alguns critérios.