Sal tartufado e a polenta maravilhosa

Desde o ano passado, quando dei de presente um vidrinho de sal tartufado, fiquei aprisionado na ideia de experimentar essa iguaria. Por se tratar de um produto caro – mas não inacessível -, acabei adiando o momento dessa experiência. Mais por uma herança de pão-durismo da origem italiana, porque quando se quer algo de verdade, se economiza até em papel higiênico.

Pois bem, depois de 15 dias fora de São Paulo, arrasado por uma rotina massacrante de trabalho, decidi me permitir algumas indulgências. Sábado pela manhã, fui ao Varanda – grande surpresa positiva, pois é um mercado que não se propõe a ser barato, mas sim, a ser refinado e de bom gosto, onde se pode acessá-lo em momentos em que precisamos mergulhar dentro da ideia de que a vida é uma só e que os prazeres mundanos têm seu lugar na nossa existência. E não se trata de um lugar tão pequeno assim. – e tratei de transitar com calma entre as prateleiras e observar tudo que elas poderiam oferecer ao meu primeiro desjejum em São Paulo. Comprei algumas delícias e, entre elas, a maior de todas: o sal tartufado.

Quando abri o vidro, o perfume das trufas brancas aromatizaram a cozinha sem esforço. Eu, que sou sensível a cheiros, fiquei inebriado pelo aroma e fui forçado a prová-lo com uma dose generosa de azeite extra virgem e pão. Foram poucos ingredientes no mundo que me encantaram dessa forma. O mais engraçado é que a teoria de que comida é mais íntima que sexo me faz pensar que essa descoberta é quase como quando você se apaixona por algo incrível em uma pessoa, seja pra levar pra cama, conversar, ler ou observá-la em forma de arte.

Nessas, acabei me motivando e fazendo uma das melhores polentas dos últimos tempos. Receita que não vou guardar pra mim, pois acredito que cada um de vocês deva prová-la e, se possível, bem acompanhada de amores e vinho.

Se quiser se aventurar e preparar a tal polenta

– 3 xícaras de farinha de milho (a fubá, gente amiga)

– cerca de 3 litros de água (uma panela grandinha cheia)

– 3 dentes de alho

– 3 xícaras de shitake seco quebrado em pedaços bem pequenos (não precisa hidratar, pois ele amolece na panela)

– 2 folhas de louro

– cebolinha picada bem fina

– sal e pimenta a gosto (tem que ir provando, gente, não dá pra salgar e esquecer)

O preparo: dissolva a farinha na água ainda fria com um batedor, em seguida, acrescente os demais ingredientes e deixe ferver (com exceção da cebolinha, que deve ser colocada no final, pra não murchar tanto). O importante é deixar a polenta cozinhar por uma hora, mais ou menos, assim, ela fica super cremosa e sem resquícios de grãozinhos da farinha no meio. Além disso, é fundamental mexer ela seguido. Não dá pra esquecer ela no fogo, pois o resultado pode ser o pior.

Vá experimentando o sal e temperando ela durante o processo, pois o sal é um dos ingredientes que nunca se acerta de primeira. Experimente, experimente, experimente.

Sirva a polenta em combuquinhas e finalize com sal tartufado e azeite extra virgem. Caso queira mantê-la em pratos, opte por um prato fundo e finalize a decoração com uma saladinha de agrião, de folhas miúdas. O molho pode ser bem simples: azeite extra virgem, sal e limão.

Se divirta com uma boa garrafa de vinho e honre as boas heranças da cozinha italiana.

Frango com cerveja da Dona Lurdes!

Há algum tempo atrás, minha mãe me supreendeu com uma receita de frango com cerveja, a qual venho tentando aprimorar de tempo em tempo. Ontem, num digno almoço de domingo e bom papo com o amigo Gustavo e sua excelentíssima esposa Jaque, consegui fazer a melhor de todas as tentativas dessa receita e, por isso, decidi postá-la aqui.

Frango na cerveja
– Sobrecoxas de frango sem pele (eu fiz cerca de 1kg)
– 01 cebola picada
– Uns 07 dentes de alho picados
– Umas 04 colheres de salsa picada
– 02 tomates
– 02 latas de cerveja
– Sal (eu comecei a usar aquele que tem Aji-no-moto misturado e fica bom)
– Pimenta preta moída na hora
– Algumas folhas de louro
– Azeite extra-virgem
Lembrando que todos os ingredientes são uma quantidade média, porque sou o tipo de cara que cozinha pelo feeling.
Modo de preparo: Tempere o frango com sal, pimenta, todo aquele alho e umas folhinhas de louro. Esfregue os ingredientes nas coxas (de frango, claro… piadinha infame!), despeje uma lata de cerveja e as deixe marinar por uns 30 minutos. Pegue uma panela estilo “wok”, frite as cebolas até elas quase queimarem (é bom deixar os tostadinhos tomarem conta), vá acomodando os pedaços de frango na panela e deixe dourar. Ele vai soltar um pouco de água, mas logo seca e começa a dourar tudo, deixando um cheiro incrível na cozinha. Quando tudo estiver super dourado (não permita que o frango fique sem cor. Nada é mais brochante que um frango meio pálido e meio cru), acrescente os tomates e, depois de uma leve refogada, acrescente aquela mistura de cerveja com alho que o frango tava dentro. Deixa cozinhar. A comida precisa de seu tempo, mais ou menos, como um filho. Você precisa ficar de olho, mas tem que deixar ele seguir seu caminho natural.
Veja se está bom de sal e deixe continuar o cozimento. Quando estiver quase seco, acrescente a outra lata de cerveja, pra que o frango cozinhe por mais tempo e ganhe mais sabor.
Quando estiver envolvido num molho cremoso (porém, líquido), acrescente a salsa, espere mais um pouco e tá pronto. Simples, simples.

Pra acompanhar, fiz uma polenta à moda antiga, feita no braço. Nada de Polentina pré-cozida! Pra fazer vai farinha de milho, água, sal, um toque de azeite, tomilho, louro e boa vontade pra ficar mexendo.
Servi o frango com a polenta e queijo parmesão, acompanhados de folhas de agrião. Tudo regado a um azeite inadreditável que trouxe da Itália, o Uliveti Stefanini.
Essa receita é uma delícia e fácil de preparar, porém, precisa de um pouco de tempo pra fazer as coisas acontecerem como devem. Não deixe de tentar!