Gafe americanipônica

Quinta, acordei de ovo virado, tomado por um espírito sindicalista. Fui pra padaria da esquina, determinado a tomar uma providência sobre o tédio da vida workaholic. Ou da não-vida, como preferir. Pedi uma vita-suco com beterraba (tô fazendo meu branding na padoca. Quem mais pede uma vita-suco com beterraba?), um sanduíche de peru light que insisto em corromper, trocando o queijo prato por queijo branco tostado, acrescentando tomate, alface, servido no croissant e um café com leite médio (me irrita café com leite pequeno. Perde toda a nostalgia.), abri um livreto pra lá de interessante: The Perry Bible Fellowship,  do Colonel Sweeto (são quadrinhos de humor ácido e sofisticado, introduzidos em minha vida pelo Drehmer), peguei o telefone e liguei pro meu primo. 

_ Maaaaaarceeeeelllllll bl-bl-bl-bl-bl-bl-bl-bl-bl-bl… (um grito esganiçado mais ou menos parecido com o de um peru!)
_ Fala, cueca suja.
_ Celo, preciso fazer alguma coisa que me diga que minha vida não se resumiu em trabalho. Tu e a Lu têm planos pra hoje?
Fomos para um sushi. O Mori Sushi, que fica na rua da Consolação, 3610. O lugar é super interessante, com um ar moderno sem deixar de ser aconchegante, pratos gostosos (com a exceção desastrosa que vem em seguida) e bem executados, sem meter a faca. Pedi um temaki de salmão com polvo e molho tarê, hot holl e, na seqüência, um gunkan flambado, porque vi uma bandeja pegando fogo indo até a mesa de duas mulheres (é um sentimento primitivo ser atraíto pelo fogo. Coisa louca…). Furada! Eu achei que se tratava de algo bem elaborado e composto em cima de algum repertório bem resolvido. Um enrolado de salmão que foi assassinado por um recheio grotesco de cream-cheese e salpicadas super mal-feitas de shimeji, tudo flambado no cointreau. Perdeu-se o sabor do salmão e o que ficou foi uma textura massuda e desagradável de quase uma colher de sopa de cream-cheese no meio de cada gunkan. Em resumo, o japonês é apulhado pelas costas por um yankee, banhados em um cointreau ainda com álcool, que resultou num toque de laranja artificial totalmente dispensável. Tudo pegando fogo. Uma legítima cena de horror. Isso sem falar que terminamos os temakis e a metade da odisséia fumegante até chegarem nossas bebidas. A confusão terminou merecendo aplausos de pé quando dois garçons completaram a cena discutindo na nossa frente de quem era a responsabilidade de atender a nossa mesa. Triste.
Responsáveis pelo Mori: vocês fizeram um belo lugar, agradável e interessante, mas ficou claro que falta investir no capital humano. Treinamento é palavra de ordem para um time que quer dar certo.
Espero que vocês corrijam essa falha e que “desamericanizem” um pouco os pratos, deixando o cream-cheese cantarolar em cima de um pão no café da manhã, mas não na comida japonesa. Passou do ponto.
Não digo que não voltarei, porque acredito no poder de transformação das pessoas. Pode ter sido um lapso, um momento infeliz e nós os sorteados. Vai saber!






É desse lugar que eu tô falando.

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A pior experiência nipônica da história

Minha gente brasileira, na terça à noite, saímos para comemorar o aniversário da Lu com alguns amigos. Todos na expectativa de conhecer um novo japonês e ampliar nosso repertório de restaurantes. Fizemos uma reserva no Kazan, que fica na Melo Alves, 343. O restaurante começou mal, não permitindo que a aniversariante e seu namorado entrassem e fossem acomodados sem que os demais chegassem. Nessa, tiveram que ficar nos esperando na porta e vocês já sabem como funciona o trânsito na Rebouças.

Chegamos depois de uns 20 minutos e vivemos um buffet de horrores naquele lugar. Começamos com uma montoeira de calçados espalhados na porta da sala que reservamos no piso superior, deselegante a ponto de parecer uma pista de patinação de quinta categoria, nos acomodaram numa sala minúscula, super apertada e desconfortável, sentados sobre almofadas baratas e bem “ocidentais”. Nada legal. Nas paredes, pátinas desgraçadas na combinação duvidosa de amarelo com lilás. A trilha sonora se resumia em “Take my breath away” interpretada pela décima colocada dos piores de American Idol. De doer, minha gente, de doer! O garçom demorou muito tempo para nos atender e foi um profissional de merda, definitivamente, dando apenas um cardápio para cinco pessoas e vivendo a plenitude do “não servir”. Se tem uma coisa inaceitável é garçom de má vontade e que te atende com descaso, e é desse tipo de gente que eu tô falando.
A comida não tava tão ruim quanto o lugar e seus serviços, mas não surpreendeu, porém, dentro do pacote de grosserias e indelicadezas, poderia resumir o Kazan como a pior experiência nipônica da história. Diria que poucos lugares poderiam batê-lo no quesito mal atendimento e falta de bom senso.
Se não quiser ser mal-tratado num lugar de mau gosto, sugiro que não coloque seus pés naquele lugar, ao menos que seja masoquista.