Inaugurando o apê de Savieto

Sávio é meu sócio e grande amigo. Já tem um tempo que a gente trabalha junto e divide algumas ideologias, mas há pouco tempo nos tornamos sócios e escudeiros de coisas legais da vida. Nessa história de trabalhar nos moldes home-office, meu apartamento havia se tornado o QG das discussões e o vulgo ambiente de trabalho, porém, o Sávio tinha a rotina ingrata de atravessar a cidade pra gente poder resolver as questões da agência se olhando na cara. Levanta de madrugada, vai pra academia quase antes do sol raiar e aparece aqui em casa lá pelas 9h30, 10h da matina. Um saco pra qualquer cidadão. A partir dessa rotina desgastante, ele começou a procurar apartamento aqui perto de casa, pra poder deixar o carro em casa e trocar a buzina por um pouco de tranqüilidade. Nada de sucesso na busca até que, num de meus momentos de nôno Téo, forcei pra que ele fosse conversar com os caras que mais sabem de apartamentos disponíveis no mundo: os porteiros. Dito e feito, acabou vindo morar um apartamento ao lado do andar de baixo do meu.

Além dos medos declarados desse possível excesso de convivência (que pode levar a níveis gravíssimos, como pedir papel higiênico emprestado, no patamar mais dramático que se pode imaginar: ligando do banheiro e o vizinho tendo que levar. Não duvide! Melhor se precaver e estabelecer limites previamente. Gente é louca e a gente bem sabe disso!), rendeu um belo jantar de inauguração da cozinha. Se tratou de um penne ao limão siciliano e uma posta generosa de salmão ao limão com crosta de castanha de cajú, tudo regado a um bom azeite. Um exagero, levando em consideração o dia de merda que tivemos. Teria comido feliz um sanduíche de presunto e queijo com café com leite, porque, de mim, só restava alguma energia pra raspar limões e bocejar.
De qualquer forma, meu novo vizinho não fez feio no abre alas do apê. Pelo contrário, mandou benzaço, Savieto!
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Filando comida na casa alheia

Combinei um jantar na casa dos meus primos, Celo e Lu (prima por uso capião), motivo pra um papo sobre a marca de uma companhia de teatro de um amigo deles (agora, amigo meu). Saí correndo de uma reunião e nem passar em casa pra pegar um pouco de dignidade eu consegui. Cheguei lá, janta quase pronta. Gil na cozinha e o cheiro de panquecas tomando conta do lugar. Panquecas de carne moída, gente amiga! Tem panqueca mais panqueca que a de carne moída coberta com molho de tomates? De jeito nenhum!

Comemos mal diagramados pela sala, com tv, som e computadores ligados. Um desperdício, mas tudo parecia compor bem naquele momento.

Papo bom, papo bom e a cortina se abre com panquecas de côco com leite condensado. Foi o paraíso, pra eu que tentava alguma interação social na frente do laptop encaminhando alguns e-mails. Companhia demais, trabalho demais! Começou a ficar difícil conversar, ouvir música, escrever e-mails e digerir as quatro panquecas que mandei ver. Era demais pra mim. Comecei a não fazer nada direito, nem o e-mail, nem o papo, nem a digestão. Nessas horas, é sempre bom saber a hora de ir embora. Nada de bancar o chato na casa dos outros, ainda mais quando não foi você quem cozinhou. Vim pra casa com a vontade de ficar. E lá iá!