Chocolataria round 2

Esse curso foi uma experiência e tanto na minha vida. Tudo bem que ele começou de maneira bem inocente, buscando um novo calmante para as mulheres loucas que me cercam, depois, o que era para ser uma bandeira de paz nessa casa, deu espaço para brigas entre as meninas pra ver quem ficaria com os últimos chocolates. Em temporadas de TPM ou de instabilidade emocional – ou as duas coisas -, chocolate é uma ótima pedida pra acalmar os ânimos e dar uma perspectiva doce ao amargo das paranóias dessa gente alterada por hormônios. O detalhe é que aqui em casa não consumimos ingredientes de origem animal, então, o desafio do chocolate se tornou um pouco maior, mas isso não impediu que sobremesas maravilhosas viessem ao mundo com toda a força.

Foram dois finais de semana de bombons, muffins, mouses, ganaches, barrinhas… Uma verdadeira overdose de chocolate. No final do segundo dia, implorávamos por salgados e eu caía de joelhos em gratidão ao novo conhecimento que invadiu minha vida. Por mais que eu brinque com essa história da TPM, no fundo, tem sua verdade. Não existe pessoa que não amanse seus impulsos com uma sobremesa de qualidade feita com chocolate. É mágico. É quase feitiçaria.

Daquela leva de doces, restaram só as fotos e algumas invenções mal sucedidas em madrugadas de larica. Agora, estou criando cremes de castanhas para substituir a dita soja que, querendo ou não, sempre deixa seus traços dispensáveis no meio do chocolate. Recadinho da postagem: Meninas, calma, comprem a matéria-prima que o titio não vai deixar faltar chocolate nessa casa. Aos chocólatras, mais delícias para suas compulsões. Aos veganos, uma salvação!

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Diquinha multiuso

Bata no liquidificador uma bandeja de morangos, um saquinho de cerejas (tire os caroços), esprema um limão siciliano, um pouco de raspas da casca, algumas folhinhas de hortelã e açúcar. Tudo fresquinho! Nada de usar cerejas em conserva e hortelã desidratada. Faz toda a diferença.

O resultado é uma calda fresca deliciosa. Cítrica, saborosa e saudável.

Você pode serví-la sobre sorvetes, brownies, frutas com lâminas de amêndoas tostadas ou qualquer outra sobremesa bem doce, pois o azedinho da calda refresca e deixa qualquer overdose de açúcar tragável.

Pra beber, você pode colocar um pouquinho dessa calda no fundo de uma taça e servir com pró-seco, mas o melhor mesmo é preparar o fundo de um belo copo com gelo até a boca, encher de vodca de qualidade e completar com Schweppes Citrus. Fica bom demais!

Francês de olhos puxados

Essa temporada sem escrever aqui no blog me trouxe uma série de inquietações. Muitas fruto da impossibilidade de habilidade e tempo pra colocar determinadas criaturas no mundo. Mesmo sem escrever, não parei de me aventurar pelo universo da gastronomia. Sem colocar a mão na massa, em função de não conseguir executar tarefas básicas, como cortar um tomate ou descarcar alhos, mas com o apetite e a curiosidade de sempre acentuados. Mais do que nunca, passei a encarar a comida como uma compensação das merdas da vida. Mesmo dentro de uma ótica positiva, merda é merda. Aprendemos com os tropeços, nos tornamos pessoas melhores, mas os calos não deixam de doer por isso.

Nessa temporada de busca por compensações, acabei sendo levado por duas amigas a um restaurante super charmoso, lá na Vila Madalena, o Les Delices de Maya. Segundo elas, eu precisava conhecer o tal lugar e experimentar uma massa super especial preparada pela Maya, chef e dona daquele cantinho charmoso. Como se trata de um prato que ela prepara quando dá na telha, pelo que pude entender, acabamos dando sorte em chegar lá e ser o dia do macarrão cozido em algas com gengibre e farofa de gergelim. Estranho e delicioso, na mesma proporção. A versão original vem acompanhada de camarões, mas pedi que a chef fizesse uma versão vegetariana pra mim. A adaptação foi digna de sucesso de bilheteria.

Quando o prato chegou, vivi o que há anos não acontecia: experimentar algo novo, tão longe das suas referências, que você mal sabe como reagir. É quase como uma criança descobrindo o mundo e tendo espasmos de admiração. As garfadas vieram acompanhadas de felicidade e resmungos de prazer. No final do prato, fui obrigado a jogar fora minha elegância e pedir que me servisse mais uma porção.

Além do prato delicioso, fomos atendidos de maneira especial e carinhosa, com direito a dicas de livros e histórias de vida.

Finalizamos o almoço com uma rodada de sobremesas: cheesecake com calda de frutas vermelhas pra mim, pudim de leite pra Ci e bolo de chocolate sem farinha pra Andrea. Claro, as sobremesas passaram pela boca de todos, pois é inaceitável enfrentar tantos sabores maravilhosos sem compartilhar com quem divide a mesa com você. Ainda mais quando falamos de doces!

Esse cantinho merece ser descoberto. Vá até a Morato Coelho, 1044. Além de ter uma refeição incrível, aproveite para levar as caldas e molhos especiais para salada que a chef Maya Midori prepara. Eu levei um molho de framboesas com azeite e balsâmico que quase transcendeu minha relação com as folhas verdes.

Andrea e Ci, muito obrigado pela descoberta!

Nessa aventura, descobri John Fante.
Ouça “Crazy”, na versão da Norah Jones depois de ler essa postagem.
A imagem daqui é uma composição que fiz a partir de uma foto que achei na internet. Não sei pra quem dar os créditos.

Dia bom

Domingo ensolarado, primos queridos, passeio no parque e comida boa. Dêem uma olhada no que aprontamos na cozinha depois de praticar yoga no Ibirapuera, andar entre uma multidão de cachorros e donos felizes e bater um papo bom tomando sol na beira do lago.

Prato principal

Penne ao tomate e ervilha torta

Frite cebola no azeite extra virgem e coloque uns três ou quatro dentes de alho inteiros e duas folhas de louro fresco pra tostar junto. Quando estiver tudo dourado, acrescente meia beringela em cubos grandes. Se você quiser melhorar o sabor da beringela, deixe ela de molho na água com bastante sal alguns minutos antes de jogar na panela. Claro, escorra antes. Segundo as más línguas, isso evita que a beringela fique amarga. Em seguida, acrescente a ervilha torta e detone no azeite, até empapar a comida nele. A base do molho é essa. Salgue e moa pimenta verde na hora. Você determina a quantidade de acordo com teu humor. Em seguida, coloque dois tomates italianos bem maduros cortados em quatro partes com o miolo virado para baixo. Não mexa mais. Deixe tudo isso no fogo, dourando e soltando sabor. Quando os tomates estiverem levemente mais molinhos e com a base dourada, dê uma mexida e acrescente queijo parmesão ralado grosso na hora. Exagere. Eu costumo cozinhar a massa com folhas de louro, pimenta e sal grosso. Quando estiver al dente, escorra e coloque dentro da panela do molho e vá misturando gentilmente em fogo baixo. Desligue e sirva. Fica leve, colorido e super saboroso.
Sobremesa
Animando o domingão com morango e chocolate

Diagrame um prato fundo, daqueles pequenos, com a seguinte combinação:
– Sorvete de creme com crocante (apostei no Baden Baden, mas use o que mais gostar).
– Brownie com nozes (me atrevi a comprar pronto no mercado, em nome da praticidade que honraria meu domingo ocioso).
– Calda de morango com limão siciliano: bata no liquidificador uma bandeja de morangos com um limão siciliando e açúcar. 15 segundos e tá pronto. Cítrico, fresco e delicioso.
– Decore com raspas da casca do limão siciliano e cardamomo grosseiramente triturado.
Se tem algo que você vai ouvir serão os resmungos de prazer, pois essa sobremesa é um escândalo dentro da boca. Doces muito bem harmonizados com a adstringência do morango com limão e a excentricidade do cardamomo. Agora, preciso batizar essa sobremesa pra que ela passe a existir no mundo de maneira oficial. Tente fazer e deixe uma sugestão de nome.