Um toque pra quem sofre de TOC

Zilhões de medidas e modularidades pra segurar a onda de quem sofre com a desordem visual.

Não dá pra imaginar a vida sem simetria, modularidade e harmonia de formas. Inclusive, na comida. Essa tábua de corte é uma maravilha pra quem sofre de transtorno obsessivo compulsivo. O tal TOC. Devo confessar que me interesso pelo tema e já li algumas coisas bem interessantes à respeito. Uma delas é que todos temos TOC em determinada fase da vida. O que muda é que algumas pessoas desenvolvem neuras e vícios e alimentam necessidades de organização e simetria, a partir de repetições de pequenas ações do cotidiano. E não se surpreendam, o auge do TOC acontece na adolescência. Maldita época da vida. Irritantes e cheios de verve.

De qualquer forma, tá aí uma ferramenta pra deixar os pratos mais bonitos e bem acadados. Tô pensando em ter uma dessas na minha cozinha. Pra quem quiser saber mais, a tábua se chama OCD Cutting Board e custa US$28. “Tá, mas onde eu vou achar?!” Abaixo tem links pra você poder comprar online, caso seus olhos tenham brilhado como os meus.

[Gadgets and Gear via The Awesomervia CrunchGear]

Anúncios

2011 começou aqui em casa

Cheguei em casa animado, depois de uma temporada de férias no Sul. A cozinha fora de casa é sempre uma dificuldade para vegetarianos. Existe o esforço constante da minha família, mas um repertório pouco vasto, em função da alimentação que a sociedade tradicional nos ensina.

Os passos foram poucos.

1. Assisti a um filme horrível e decidi passar no mercado para garantir a sobrevivência dos dias antes da feira.

2. Abri a porta depois de um banho de chuva. Sacolas e boa vontade nas mãos.

3. O pé de manjericão estava caído, de tão grande. A raíz estava sendo arrancada pelo peso dos galhos e folhas. Fui obrigado a podá-lo.

4. As folhas mais tenras já vistas em minha cozinha me levaram ao melhor pesto. Uma a uma, lavei-as e tirei seus talos, para evitar o gosto amargo no molho.

5. Quebrei as cascas das macadâmias com martelo e as tostei em uma panela.

6. Bati as folhas tenras do manjericão e as macadâmias tostadas com azeite extra virgem, um dente de alho, sal e pimenta, no liquidificador.

7. Levei o molho ao fogo baixo até que mudasse de textura e a cor assumisse um tom quase fluorescente e levemente escuro.

8. Marinei tomates maduros no tempero de limão siciliano.

9. Cozinhei meio pacote de bavette em chá de flores de manjericão, louro, pimenta e sal.

10. Misturei tudo e me atirei de cabeça na primeira refeição de 2011 feita em minha casa.

Apoteose gustativa. Dedicação honesta quase sempre resulta em orgasmo.

Conheçam esse cara

Desde que me tornei vegetariano, sou impactado por uma série de informações relevantes sobre direito animal. Tais informações vêm afetando minha relação com o consumo e sugerindo reflexões importantes a respeito da vida. Uma série de mudanças me fazem, hoje, sentir bem em relação à consciência que se fortalece cotidianamente com minhas pequenas escolhas.

Um dos desafios dessa nova postura é a alimentação. Quase todas as refeições fora de casa exigem atenção para que você não consuma determinados ingredientes “censurados” escondidos no meio dos pratos. Quando se vai a lugares bem segmentados, como alguns restaurantes veganos, você acaba tendo que negociar muito do seu paladar e de seus critérios gastronômicos em nome da ideologia. Mesmo entendendo que o veganismo é um movimento de vanguarda e que toda vanguarda enfrenta dificuldades de adaptação, devo fortalecer a crítica de que não devemos abrir mão da boa exploração dos nossos sentidos. Afinal, fomos presenteados com terminações nervosas extraordinárias! E o sabor, no meu caso, é algo inegociável. Cortem meu pinto, mas não cortem minha língua!

Ainda bem, sempre encontramos figuras que compartilham pensamentos e acabam tornando determinados desafios ainda mais admiráveis. Tal Ronnen é um chef que descobri há pouco tempo. Um chef vegano! Tá aí um cara que faltava na gastronomia. Ele conseguiu unir o máximo da boa execução gastronômica à ética de consumo e, na minha humilde opinião, vem ajudando a elevar a comida vegana ao status de gastronomia. Sim, minha gente, eu sei que existem outros chefs veganos no mundo, mas Tal Ronnen é o cara que virou centro da minha atenção, basicamente, pela sua sensibilidade ao explorar os ingredientes de maneira criativa e por tratar a vida de forma respeitosa e oxigenada.

Se quiser conhecer o trabalho dele mais a fundo acesse www.talronnen.com