Orgia Veggie: edição 01

O que acontece quando se mistura um blogueiro com um chef de cozinha? Nada se sabe, mas se tratando do Da Boca Pra Dentro e do chef Maurício Azevedo, do Citrino Bistrot, saiu um evento de dar água na boca: a primeira edição do Orgia Veggie. Um almoço original e delicioso livre de ingredientes de origem animal. A ideia é fomentar a possibilidade de viver plenamente a intersecção entre ideologia e prazer.

A produção do evento é encabeça por Ana Paula Zanatta, proprietária do Citrino Bistrô, que conduz o negócio com constante pensamento de vanguarda. A casa reserva 50 lugares e espera um público bastante heterogêneo, que varia entre vegetarianos, veganos e qualquer pessoa que aprecie gastronomia de alta qualidade.
Os prazeres auditivos ficam por conta de Sávio Bertolani, que fará o set para a Orgia Veggie, edição 01, que acontecerá dia 12/05, no Citrino Bistrô, que fica na Rua Ministro Jesuíno Cardoso, 556, na Vila Olímpia. O almoço reserva uma sequência deliciosa de couvert, entrada, prato principal e sobremesa por R$ 45. As bebidas são cobradas separadamente.
Veja os detalhes no convite em anexo e garanta seu lugar nesse evento que promete compensar seus sentidos. Essa sequência já foi provada e aprovadíssima. Uma verdadeira explosão de sabores. Vá!
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A cozinha da Miyoko

Você está pronto para mais uma aventura vegana? Essa é a pergunta chave de Miyoko’s kitchen, um programa de culinária vegetariana bem interessante. A produção é barata e mal acabada, mas as receitas são ótimas e o astral entre os apresentadores é dos mais altos. Existe alí um ar fake, de interpretação, de piadinhas combinadas, mas isso não invalida as boas dicas e a diversão que é assistir o programa. Até dá um molho pra história toda, visto que sou um apreciador do “jeito-tosco-de-ser”.

Para os vegetarianos, mais uma alternativa para reinventar ou incrementar as manifestações gastronômicas na cozinha de casa. Para os não vegetarianos, uma oportunidade de provar comida vegana com sabor. Eu defendo a ideia de que não devemos abrir mão do sabor em função de nossas convicções. Devemos é conciliá-los! É possível levar nossas reflexões e ações de ativismo adiante sem menosprezar esse lado tão valioso da vida, que é o prazer da boa comida.

Fica a dica e uma receitinha de sorvete de banana, que eu já vou tentar fazer em casa.

Veganos ganharam balada temática

Ué, mas o tema desse blog não é comida? Sim, é comida. O Vegacy, um cantinho de comida vegana lá da Augusta, começou a fazer algumas festas pontuais, onde eles servem comida vegana. Estivemos lá, eu e minha marida, no sábado pra ver qual é dessa festa que prometia batidas de soul, funk e rap. Por instantes, sentimos medo da proposta, mas decidimos pagar pra ver, já que se trata de um lugar bem segmentado e com uma perspectiva que a gente se identifica.

Chegamos lá e o astral tava bem gostoso. Nada de grandes produções, mas música boa e gente bonita. Ao contrário do que achávamos, o som surpreendeu e rendeu boas chacoalhadas na carcaça. Alguns pecados relacionados à bebida impediram a noite de decolar da maneira como poderia. Colocaram dois caras straight edge (defende a total e perene abstinência em relação ao tabaco, álcool e drogas ilícitas) pra cuidar do bar. Isso resultou em cerveja quente, drinks mal preparados e alguma falta de cuidado com as bebidas. Eu pedi uma cerveja que abandonei logo depois dos primeiros goles. Mesmo a latinha tendo um lacre protetor, alguém deve ter deixado um pano sujo sobre elas, o que garantiu o cheiro horroroso na lata e na minha mão, logo depois que manipulei o rótulo. Um nojo. Fui correndo lavar a mão, pois nem bêbado dava pra tolerar aquele cheiro. Sem falar que eu havia comprado fichas de Heineken e, quando fui pegar, as Heineken (cerveja mais cara das opções) tinham acabado, o que implicou em pegar mais uma vez a fila do caixa pra trocar as fichas que eu havia comprado.

Em resumo, as noitadas no Vegacy podem dar certo. A música é boa (apesar do dj dar umas cagadas feias na transição entre as músicas), o pessoal é bonito e sensível (carregam em si a reflexão da não exploração animal) e a atmosfera do lugar é boa. Então, tem que acertar esses amadorismos com a bebida e afinar questões de serviço. De resto, é repetir a dose e tentar não errar nas mesmas coisas. Fica o incentivo e a torcida pra que dê certo.

Chocolataria round 2

Esse curso foi uma experiência e tanto na minha vida. Tudo bem que ele começou de maneira bem inocente, buscando um novo calmante para as mulheres loucas que me cercam, depois, o que era para ser uma bandeira de paz nessa casa, deu espaço para brigas entre as meninas pra ver quem ficaria com os últimos chocolates. Em temporadas de TPM ou de instabilidade emocional – ou as duas coisas -, chocolate é uma ótima pedida pra acalmar os ânimos e dar uma perspectiva doce ao amargo das paranóias dessa gente alterada por hormônios. O detalhe é que aqui em casa não consumimos ingredientes de origem animal, então, o desafio do chocolate se tornou um pouco maior, mas isso não impediu que sobremesas maravilhosas viessem ao mundo com toda a força.

Foram dois finais de semana de bombons, muffins, mouses, ganaches, barrinhas… Uma verdadeira overdose de chocolate. No final do segundo dia, implorávamos por salgados e eu caía de joelhos em gratidão ao novo conhecimento que invadiu minha vida. Por mais que eu brinque com essa história da TPM, no fundo, tem sua verdade. Não existe pessoa que não amanse seus impulsos com uma sobremesa de qualidade feita com chocolate. É mágico. É quase feitiçaria.

Daquela leva de doces, restaram só as fotos e algumas invenções mal sucedidas em madrugadas de larica. Agora, estou criando cremes de castanhas para substituir a dita soja que, querendo ou não, sempre deixa seus traços dispensáveis no meio do chocolate. Recadinho da postagem: Meninas, calma, comprem a matéria-prima que o titio não vai deixar faltar chocolate nessa casa. Aos chocólatras, mais delícias para suas compulsões. Aos veganos, uma salvação!

Conheçam esse cara

Desde que me tornei vegetariano, sou impactado por uma série de informações relevantes sobre direito animal. Tais informações vêm afetando minha relação com o consumo e sugerindo reflexões importantes a respeito da vida. Uma série de mudanças me fazem, hoje, sentir bem em relação à consciência que se fortalece cotidianamente com minhas pequenas escolhas.

Um dos desafios dessa nova postura é a alimentação. Quase todas as refeições fora de casa exigem atenção para que você não consuma determinados ingredientes “censurados” escondidos no meio dos pratos. Quando se vai a lugares bem segmentados, como alguns restaurantes veganos, você acaba tendo que negociar muito do seu paladar e de seus critérios gastronômicos em nome da ideologia. Mesmo entendendo que o veganismo é um movimento de vanguarda e que toda vanguarda enfrenta dificuldades de adaptação, devo fortalecer a crítica de que não devemos abrir mão da boa exploração dos nossos sentidos. Afinal, fomos presenteados com terminações nervosas extraordinárias! E o sabor, no meu caso, é algo inegociável. Cortem meu pinto, mas não cortem minha língua!

Ainda bem, sempre encontramos figuras que compartilham pensamentos e acabam tornando determinados desafios ainda mais admiráveis. Tal Ronnen é um chef que descobri há pouco tempo. Um chef vegano! Tá aí um cara que faltava na gastronomia. Ele conseguiu unir o máximo da boa execução gastronômica à ética de consumo e, na minha humilde opinião, vem ajudando a elevar a comida vegana ao status de gastronomia. Sim, minha gente, eu sei que existem outros chefs veganos no mundo, mas Tal Ronnen é o cara que virou centro da minha atenção, basicamente, pela sua sensibilidade ao explorar os ingredientes de maneira criativa e por tratar a vida de forma respeitosa e oxigenada.

Se quiser conhecer o trabalho dele mais a fundo acesse www.talronnen.com